domingo, 15 de junho de 2014

Tsunami necessário para varrer o povo do poder - O Estadão e a reação brasileira

O ESTADÃO 15/06/2014 - Atualmente leio menos a imprensa paulista. Comprei a edição dominical do Estadão. Me interessa o Fórum dos leitores. Nesta edição todas as matérias se ocupam da mesma preocupação dos leitores publicáveis no Fórum, os CONSELHOS POPULARES que o Governo Federal deseja criar. A expressão popular desde 1889 causa arrepios nas elites dirigentes do país, que permaneceram com as mesmas políticas, independente do regime, se colonial, monárquico ou republicano. O teor do jornal merece boas piadas até a crítica acadêmica, se for possível dispender tempo para tanta asneira. Se levarmos a sério as explicações e exposições dos leitores permitidos, vale avisar o Brasil de que Satanás acabou de sair de Roma, num OVNI e está prestes a aterrizar no Rio de Janeiro - o diabo sempre prefere a capital anterior de um país - e que os que estiverem dormindo serão devorados. Vale lembrar que o jornalista Carlos Lacerda reencarnou-se em Reinaldo de Azevedo ou da mesma forma, o Prof. Olavo de Carvalho já está procurando um novo corpo para se manifestar. O beneficiário poderá estar na redação de O Estado ou de Veja.
A idéia de conselhos populares não tem sua origem nos sovietes de 1917. Mas criticar quem faz estas afirmações não é ser justo. O ensino de História em nosso país continua mal das pernas. Maus professores, péssimos alunos, do pré-escolar à pós-graduação. A origem dos Conselhos Populares pode estar antes, na constituição da nação judaica, se nos pautarmos pela História escrita, mas para facilitar as coisas, dar menos trabalho a imaginação e à pesquisa, vem da Eklesia grega, de onde se originaram nossas igrejas ou mesmo a distorcida e vaga sugestão de democracia. Desnecessário é lembrar os discípulos de Groebells de como as cidades-Estado gregas tomavam suas decisões. O povo é a fonte inspiradora e alimentadora dos governos, dos poderes. O poder do povo jamais deve ser transferido ou delegado em definitivo. Mesmo os que elegemos não substituem a vontade dos sujeitos (não passivos) da nação. Consultar o povo, representantes que permanecem na sua base, no seu cotidiano, deveria ser a opção natural de todos os poderes constituídos da República. É momento do povo deixar de escolher candidatos e entregar-se ao bel prazer dessas pessoas. Não é o Estado acima do povo, mas a serviço do povo.
Em tempo, mencionar a União Soviética como símbolo da falta de Educação com qualidade é desconhecer a História da Educação. O regime soviético, que quanto o capitalista, não deu conta de resolver suas contradições e trazer toda a dignidade que propagava as pessoas tem seus erros, mas não em investimentos educacionais. Recentemente, uma emissora séria de rádio noticiava que com a queda da URSS não houve dificuldades para que jovens e pesquisadores daquele país cursassem pós-graduação em outros países da Europa e nos EEUU. Igualmente, recomenda-se aos leitores que escutem a programação da Rádio a Voz da Coreia do Sul. A Educação naquele país tem problemas e dos mais sérios. O analfabetismo, um deles.
Bem, tanta superficialidade em relação aos Conselhos Populares, que me reportei ao livro História da história nova de Nelson Werneck Sodré - "Pareceu-lhes espantoso que um Instituto de Estudos Superiores se preocupasse em ensinar a trabalhadores e a estudantes, levando, além de tudo, esse ensino fora de suas salas...".
Mas azaroso para os leitores é que acima do Fórum dos leitores, o Professor Gaudêncio Torquato, assina um artigo, ainda que contaminado pelo pensamento político paulista, assinala pontos que se aproximam da importância do povo, da participação popular: "incapacidade do Estado no acolhimento das DEMANDAS DA SOCIEDADE"; "atender às reivindicações de setores e categorias"; "ineficiência do Estado na administração das demandas POPULARES"; "o Estado todo-poderoso, por seu lado, passou a interessar às elites políticas"; "A ciência política mostra que, na maior parte das sociedades, a paz é impossível sem alguma reforma e a reforma é impossível sem alguma violência".
Ficamos por aqui.

terça-feira, 11 de março de 2014

Somos todos venezuelanos ou estadunidense?

Quem sou eu, brasileiro, patriota e nacionalista,  para discordar do Sr. Sandro Ferreira que é venezuelano.  Mas o ponto de vista sobre seu próprio país comporta certa similaridade com o ideário udenista no Brasil, amadurecida em 1964. Nesta época em nosso país a sociedade e os movimentos sociais foram tabuletados como "civis protestando pela liberdade, pátria, família e propriedade e contra o comunismo que fritava crianças recém nascidas". Estes heróis prestavam relevantes serviços, corriam riscos ao enfrentar um "populista, sindicalista, demagogo, comunista estalinista, déspota" como João Goulart, cuja afirmação de que fora "eleito democraticamente" pela revolução brasileira é questionável. Daí, dispenso-me de comentários e recomendo aos leitores qualquer manual de história do Brasil e as recentes pesquisas feitas pela área de ciências sociais da USP e da UFRJ. Lamento que o venezuelano Sandro Ferreira não enxergue outros interesses em seu país. Ainda vivo, o Coronel Cavagnari, professor da Unicamp, alertava a sociedade brasileira a respeito dos interesses dos EEUU em estabelecer bases militares que impedissem quais movimentos sociais na América Latina, estes nas Guianas, Venezuela, Paraguai, Chile e Alcântara-Brasil. É uma questão de modelo econômico, de classes no poder, de avançar ou coibir movimentos sociais. A propósito, nosso país, não apenas a Venezuela vivem alguns sintomas de neofascismo, como o movimento de 22 de março.

(Comentário sobre publicação de Sandro Ferreira, no Diário dos Campos, 11/03/2014)















http://www.diariodoscampos.com.br/blogs/artigos/somos-todos-venezuelanos-5915/