terça-feira, 24 de setembro de 2013

A direita perde seu único baluarte: a morte de Altair Ramalho

ALTAIR RAMALHO

A morte de Altair Ramalho representa para a região dos Campos Gerais prejuízo inestimável para a cultura. No espectro ideológico que representava era o único jornalista inteligente. Seu programa era opinativo mas conseguia conquistar certa independência em relação ao grupo que o mantinha no ar, tanto que múltiplas vezes, saia em defesa dos ignorados pelo poder público na área da educação e da saúde. Sua voz, nos últimos anos, vinha sendo a tradutora e o eco dos que estão sendo vitimados pelo caos na saúde pública do município, arriscando-se o jornalista, na defesa dos que não tinham outra condição. A meu ver, Altair Ramalho soube representar um poder contestativo, encarnado na esquerda da burguesia e dos senhores feudais do Paraná. Sua presença nos microfones das emissoras de onda média e modulada, transformados no besteirol que anestia a consciência e a memória da população, representou uma pitada de coisa boa, de conteúdo e qualidade. Era o “Revelações no ar” o relevante, a excelência, tudo que vinha antes e depois se reduzia a pó. Falsas estrelas da comunicação escondiam-se atrás do brilho de um jornalista bem formado, que combinava vasta cultura, livre e tranquilo trânsito nas Letras e no Direito.
Altair Ramalho se revelava um pai exemplar e orgulho, defendia os filhos em público e no ar, sem medir consequências. Era inteligente, possuia discurso bem construído, precisava de apenas cinco minutos para dizer suas verdades. Não tinha medo do poder. Enfrentou, audaciosamente, a prática e o tratamento que policiais militares davam em abordagens.
A região perdeu um extraordinário arquivo histórico, a memória do jornalista. Ramalho sabia em detalhes de acontecimentos históricos relevantes para a nossa formação. Estes não circulavam além dos horários dos programas em que o jornalista atuava. A cidade não conta mais com eles. Perde. Piora.
Distingui-me sempre das posições políticas e ideológicas do jornalista. Frequentemente, recebia contundentes respostas por parte dele no ar, contrárias às posições que assumi, mas sempre me tratou com respeito, distinção e referência. Querendo ou não, ele tornou minhas convicções mais conhecidas e me colocou no centro de algumas controvérsias. Infelizmente, a cidade, suas instituições não tem quem repor, substituir, Altair Ramalho. Fica sua trajetória na comunicação à espera de pesquisas, dissertações, com rigor acadêmico, olhar sociológico, sem culto à personalidade. Ramalho teve importância e destaque que a maioria dos nossos políticos. Foi mais útil, teve maior significação, participou engajada e mais ativamente da vida pública.

[Pela expressão do momento, o sentimento de perda que todos sentimos agora, meu texto fica sem revisão mais acurada].


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